Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de março de 2015

O sonho de Nabucodonosor

A vida política portuguesa sobrevive discutindo pequenas profecias. São pequenas, pelo período de tempo que procuram explicar (o próximo ano) e pela substância (a vitória nas eleições legislativas e os candidatos presidenciais).
O quadro abrangente destas profecias inclui a história de Portugal entre o momento atual e as eleições legislativas de 2015 ou as eleições presidenciais do início de 2016. Neste caso não existe um plano divino que inspire as profecias como é o caso, por exemplo, do sonho da estátua de Nabucodonosor. Na verdade também não existe nenhum Nabucodonosor para sonhar com uma estátua. Ou se existe, não recorda o sonho. Ou se recorda o sonho não tem curiosidade em interpretá-lo.

domingo, 28 de dezembro de 2014

A metaistória do Natal



O Natal é uma época invulgar para todos, os crentes e os descrentes. É pouco relevante que esta comemoração tivesse surgido nos confins dos tempos para comemorar o solstício de Inverno (no Hemisfério Norte). É significativo sim, que os homens sintam necessidade de se comprometer com símbolos diferentes para a mesma época. 

No século III, a Igreja criou o nosso Natal e deu à data (época) uma investidura oportunista: a Natividade. A captura simbólica foi de tal forma bem-sucedida que resistiu aos séculos e aos milénios.

A Natividade foi contemporânea, embora não haja um consenso entre os historiadores, de um acontecimento de importância regional no Império Romano, o recenseamento determinado por Quirino. Existe, portanto, uma dimensão política na viagem de Maria e de José para Belém. 
Apesar de o episódio do “Massacre dos Inocentes” parecer não ter veracidade histórica, tem plausibilidade: Herodes é descrito como um governante violento, implacável e megalómano.

A Natividade ocorreu, assim, na convergência de duas realidades históricas: a consolidação da dominação romana mediada pela aplicação de novas exigências administrativas e o exercício despótico do poder por um governante local. 

Seria uma interpretação histórica determinísticoa se considerássemos que a Natividade resultou de uma resposta espiritual, inspirada nas profecias do Antigo Testamento, a uma conjuntura política de privação da identidade religiosa e nacional. Provavelmente, esta interpretação é inapropriada do ponto de vista científico.

Mas o nascimento de Jesus Cristo (o Natal, a Natividade) tem acima de tudo um significado metaistórico: as imperfeições humanas são compreendidas e os homens podem ser perdoados, o eu de cada um realiza-se de forma significante no eu dos outros, e o futuro é um tempo de esperança construído todos os dias.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O nónio - Pedro Nunes (1502-1577)

Pedro Nunes foi, provavelmente, o maior matemático português do século XVI.
Acumulou a produção científica em diversas áreas (ex.: medicina) com interesses artísticos diversos (ex.: poesia).  
Dedicou-se ao ensino da matemática na Universidade de Coimbra e foi cosmógrafo real.
As suas obras incluem edições comentadas de textos clássicos (ex.: o Tratado da Esfera, de Sacrobosco; a Teoria do Sol e da Lua, de Peurbach; e a Cosmografia, Livro Primeiro, de Claudio Ptolomeu) e obras originais (o Tratado sobre Certas Dúvidas da Navegação; o Tratado em Defesa da Carta de Marear; o De arte atque ratione navigandi; o De Crepusculis; o De erratis Orontii Finei e o Libro de Algebra en Arithmetica y Geometría).
Pedro Nunes inventou vários instrumentos matemáticos destinados à navegação, sobretudo à navegação em alto mar, fundamental no contexto das Descobertas: o anel náutico, o instrumento das sombras e o nónio.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Manifestis Probatum

"Alexandre, Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in 'perpetuum'. Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação. Deve a Sé Apostólica amar com sincero afecto e procurar atender eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a tua pessoa, tomamo-la sob a proteção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos Sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos defender-lha, quanto caiba em nosso apóstolico magistério."