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domingo, 15 de fevereiro de 2015

A liberdade é uma conquista da Europa



A liberdade é uma conquista da Europa. Não de um continente como espaço geográfico, entenda-se, mas de um conjunto de povos que lutaram entre si e que incluíram povos de outros continentes neste processo milenar destinado a construírem sociedades livres e democráticas.

É um abuso de linguagem falar de um processo milenar como se de um conjunto de atividades planeadas tivessem decorrido durante um período de tempo longo para apoiar uma estratégia única e unidirecional. A história é dialética ou, pelo menos, imprevisível. Mas os povos europeus, sobre os povos da Europa Ocidental e Central, construíram sociedades democráticas, baseadas no estado de direito, na liberdade de expressão e de informação e na igualdade de direitos dos géneros, das confissões religiosas, das opções ideológicas e políticas e de quaisquer outras caraterísticas que separam as pessoas e os povos.

A evolução das sociedades europeias ocidentais aprofundou-se no rescaldo da 2.ª guerra mundial, estendendo a democracia à prestação de cuidados de saúde e à segurança na velhice, na doença e nas situações de incapacidade.

Esta Europa estendeu a democracia para leste e até a Rússia adotou um regime político com propriedades democráticas.

A União Europeia e a zona do euro constituíram-se como as construções políticas e económicas que interpretam o desígnio europeu para aprofundar a democracia. Adicionalmente, estas construções acrescentaram capacidade aos países europeus para ombrearem, com potências de outros continentes, no processo de globalização em curso.      

A União Europeia e a zona do euro são, pois, estruturas fundamentais para a integração e a extensão democrática dos diversos países europeus. O modelo na sua aplicação concreta deu, contudo, existência a democracias nacionais limitadas e à monofonia no interior da união.

Com efeito, a inclusão de países com níveis de desenvolvimento económico muito diferentes num espaço com uma moeda única forte introduziu desequilíbrios económicos e financeiros entre eles.

Através de um conjunto de regras incluídas em tratados e de pressão ideológica generalizada a Alemanha construiu uma zona económica e financeira dentro da União Europeia que a beneficia. E quando um país (eventualmente, com mais dois ou três) retira vantagens e coloca os restantes na necessidade de modificar os respetivos regimes de governação, sem alternativa estamos perante a suspensão da liberdade.                   

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