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sábado, 11 de julho de 2015

Uma pequena estória sobre a nação grega



A Grécia procura o futuro numa inequação, uma desigualdade: os recursos financeiros que a nação pode reunir, num espaço de tempo, digamos razoável, são inferiores, largamente, à dívida que contraiu em nome da geração actual e das gerações vindouras.

A Grécia é um Estado que se governa por leis próprias e por leis da União Europeia (EU). Desta forma, os recursos financeiros a reunir podem provir do conjunto de indivíduos que partilham os mesmos usos, costumes e língua, a Nação, dos indivíduos de outras nações da UE ou de instituições financeiras transnacionais (banco central europeu, fundo monetário internacional). 

À acumulação de dívida pela nação acrescentou-se a recusa de muitos dos cidadãos nacionais juntarem os seus recursos aos recursos do Estado (fuga de capitais) e a recusa dos cidadãos de outras nações da EU, com outros usos e costumes, perdoarem as dívidas.     

Em 2010, quando a Grécia se tornou insolvente, as nações da zona do euro preferiram disponibilizar recursos financeiros para que a Grécia pagasse algumas dívidas, especificamente aquelas que a nação grega tinha com os bancos internacionais (franceses e alemães). No fundo, a Alemanha e a França preferiram ter como devedor a nação grega em detrimento dos seus bancos nacionais. E percebe-se porquê: em caso de um resgate suportado pelos depositantes e pelos accionistas dos bancos, os seus cidadãos seriam directamente afectados. 

Em 2010 a nação grega, mais do que falta de liquidez, estava insolvente. E o programa de ajustamento económico e financeiro não resultou. 

Um 2.º resgate teve de ser implementado para não prejudicar os contribuintes das nações da EU. A inequação agravou-se, com a dívida a crescer ainda mais e a capacidade de reunir os recursos financeiros a diminuir. Entretanto, enquanto isto acontecia, mais quatro países eram resgatados: Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre.

A questão fundamental neste momento, em que o governo da nação grega, enfrenta o eurogrupo e a união europeia não é entre “mais austeridade” e “reestruturação da dívida” (por isso, o referendo de Julho pode ter sido apenas uma manobra táctica). 

A questão mais importante está entre “mais austeridade com reestruturação da dívida e saída a prazo da zona euro” e “saída imediata da zona euro”.    

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